Mercado, Senado e Câmara dão ultimato a Bolsonaro

Empresários fazem Centrão dar ultimato a governo Bolsonaro. Relatam que a crise sanitária atinge diretamente os planos de abertura de capital de empresas e bloqueia investimentos externos.

Presidente Jair Bolsonaro sentado discursando e ao seu lado esquerdo o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo.
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Marcos Corrêa/PR.

Uma série de encontros da cúpula do Congresso com grandes empresários, representantes de bancos e do mercado financeiro resultou num movimento político pela intervenção nos rumos do governo de Jair Bolsonaro.


Os mais de 300 mil mortos na pandemia de covid-19 e a situação cada vez mais insustentável da economia levaram os presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a afinar o discurso com o mercado.


Os dois têm colocado o impeachment como possibilidade se as conversas com o governo fracassarem. As cobranças mais urgentes do setor econômico seriam a demissão dos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A avaliação recorrente nas reuniões é de que Araújo atrapalha as negociações por vacinas e insumos da Índia e da China.


Já Salles, que comanda a criticada política ambiental brasileira, é visto como obstáculo na relação com Washington, especialmente agora que o país mira as vacinas excedentes dos Estados Unidos. Interlocutores de Lira e Pacheco argumentam que, no caso específico, é errada a leitura de que a pressão pela troca dos dois ministros - verbalizada por eles - tenha como objetivo lotear o governo, uma demanda constante do Centrão.


Ernesto Araújo demitido do cargo


Criticado por sua atuação durante a pandemia, o chanceler teve a demissão pedida por deputados e senadores e, neste domingo (28), sacramentou sua saída após um atrito com a senadora Kátia Abreu (PP-TO).


O ministro se reuniu com assessores próximos no fim da manhã e apresentou o pedido ao presidente Bolsonaro, segundo apurou a TV Globo. A confirmação oficial e o nome de Carlos Alberto Franco França como substituto, no entanto, só saíram no fim da tarde.